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O leitor na Liturgia

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O leitor é um membro da comunidade a quem foi confiado o serviço de aprofundar, detectar o dinamismo, o mistério e a força da Palavra de Deus, para poder proclamá-la na assembleia litúrgica. O leitor cristão deve sentir-se responsável pela Palavra que proclama na assembleia, para a edificação da comunicação. O serviço comunitário de leitor na celebração tem uma importância particular, em virtude da própria realidade da Palavra. Para transformar-se em acontecimento salvífico, esta ultima precisa ser anunciada por alguém.

O leitor, como “homem da palavra”, como profeta, imprime vida à palavra escrita na Bíblia, afim de que possa ser escutada e acolhida pela assembleia como Palavra de Deus. O leitor, por assim dizer, é uma pessoa simbólico-sacramental. Ele anuncia a Palavra em nome de quem um dia a pronunciou, suscitando a vida nova: “sua missão é tornar presente Jesus Cristo, ser profeta e pregador deste e anunciar a Boa Nova aos irmãos e irmãs que escutam sua Palavra e louvam o Pai”.

A proclamação da Palavra na assembleia litúrgica é sempre uma realidade densa da presença atual do Ressuscitado. É Cristo vivo que, pela voz do leitor, convida os ouvintes a viver o memorial de sua vida, morte e ressurreição, com vistas à conversão e à salvação. Para que a assembleia tenha um vívido amor pela Sagrada Escritura mediante a escuta das leituras, torna-se necessário um bom desempenho do ministério de leitor, fruto de uma esmerada preparação espiritual, bíblica e litúrgica. A instrução bíblica deve ter como objetivo capacitar os leitores a perceber o sentimento as leituras em seu próprio contexto e a entender, à luz da fé, o núcleo central da mensagem revelada.

A instrução litúrgica deve facilitar aos leitores a percepção do sentido e da estrutura da Liturgia da Palavra e as razões da conexão entre Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Além disso, há preparação técnica, que tem como objetivo: “fazer com que os leitores fiquem cada dia mais aptos para a arte de ler diante do povo, seja uma viva voz, seja com a ajuda dos modernos instrumentos de amplificação de voz”. É inconcebível uma proclamação da Palavra de Deus sem entusiasmo, autoconsciência ou convicção que proceda do coração.

O pregador da Boa Nova na Liturgia não pode ter a postura de um leitor de jornal ou de um funcionário público que lê um decreto. Pode ocorrer até de uma pessoa fazer uma perfeita leitura do texto bíblico, sem estar convencida do que está lendo. Espera-se do ministro da Palavra de Deus uma atuação espiritual, isto é, animada pela força que vem de dentro do coração, própria de quem se sente tocado pela Palavra que pronuncia. O leitor litúrgico que não transmite vibração nem convicção à assembleia dá mostras de um desempenho deficiente de seu ministério. Por outro lado, quem proclama a Palavra de Deus deve ter consciência de anunciar sempre uma Boa Nova. Dessa forma, seu rosto, sua voz, sua postura e tudo nele deve expressar essa feliz novidade.

Quando a Palavra é proclamada com os sentimentos que correspondem à sua mensagem (alegria, esperança, tristeza, ameaça) abre-se o caminho para compreensão e a vivência do mistério anunciado.

Fonte: TEIXEIRA, Nereu de Castro. Comunicação na Liturgia.

São Paulo: Paulinas, 20 03.




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