Publicada a primeira exortação apostólica do Papa Leão XIV, um trabalho iniciado por Francisco sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto encontramos “o sofrimento dos inocentes”. O Papa denuncia a economia que mata, a falta de equidade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a emergência educacional.
Dilexi te, “Eu te amei”. O amor de Cristo que se encarna no amor aos pobres, cuidado dos doentes; luta contra a escravidão; defesa das mulheres que sofrem exclusão e violência; direito à educação; acompanhamento aos migrantes; esmola, equidade, “a raiz de todos os males sociais”.
Um trabalho iniciado por Francisco e relançado por Leão
Foi o próprio Francisco que iniciou o trabalho sobre a exortação apostólica. Assim como aconteceu com a Lumen Fidei, de Bento XVI, recolhida em 2013 por Francisco, também desta vez é o sucessor que completa a obra, que representa uma continuação da Dilexit Nos. O Papa Leão retoma o tema da “opção preferencial” pelos pobres, expressão nascida na América.
Os “rostos” da pobreza
A pobreza daqueles que “não têm meios de subsistência material”, de “quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e suas capacidades”; a pobreza “moral”, “espiritual”, “cultural”; a pobreza “de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade”.
A ditadura de uma economia que mata
“Quando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com critérios doutros tempos, não comparáveis à realidade atual”, afirma Leão XIV. Deste ponto de vista, ele saúda “com satisfação” o fato de que “as Nações Unidas tenham colocado a erradicação da pobreza como um dos objetivos do Milênio”.
Cultura do descarte, liberdade de mercado, pastoral das elites
Tudo isso é sinal de que ainda persiste – “por vezes bem disfarçada” – uma cultura do descarte que “tolera com indiferença que milhões de pessoas morram de fome ou sobrevivam em condições indignas do ser humano”. Realmente, os direitos humanos não são iguais para todos.
Mudar a mentalidade
O que o Papa invoca é, portanto, uma “mudança de mentalidade”, libertando-se antes de tudo da “ilusão de uma felicidade que deriva de uma vida confortável”. A dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada já agora, não só amanhã.
Em cada migrante rejeitado está Cristo batendo à porta
Leão XIV dedica um amplo espaço ao tema das migrações e, ao mesmo tempo, lembra a obra secular da Igreja em favor daqueles que são forçados a abandonar suas terras. A Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes.
Mulheres vítimas de violência e exclusão
“Duplamente pobres”, são “as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menos possibilidades de defender os seus direitos”.
“Os pobres não existem por acaso…”
O Papa Leão XIV traça uma reflexão profunda sobre as causas da pobreza: “Os pobres não existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza é uma escolha, para a maioria deles. Obviamente, entre os pobres, há aqueles que não querem trabalhar”, mas há também muitos homens e mulheres que recolhem papelão de manhã à noite, apenas para “sobreviver” e nunca para “melhorar” a vida.
Ideologias e orientações políticas
Em muitas ocasiões, observa o Papa Leão, são os próprios cristãos que se deixam “contagiar por atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orientações políticas e econômicas que levam a injustas generalizações e conclusões enganosas”.
A esmola frequentemente desprezada
O Papa detém-se longamente na esmola, raramente praticada e frequentemente desprezada. Como cristãos, não renunciemos à esmola. Um gesto que pode ser feito de várias maneiras; podemos tentar fazer da forma mais eficaz, mas que deve ser feito.
Indiferença por parte dos cristãos
A falta ou mesmo a ausência de compromisso com a defesa e a promoção dos mais desfavorecidos em alguns grupos cristãos. Se uma comunidade da Igreja não coopera para a inclusão de todos, adverte ele, “correrá também o risco da sua dissolução”.
O direito à educação
“Não é um favor, mas um dever”. Os pequenos têm direito à sabedoria, como exigência básica do reconhecimento da dignidade humana.
Uma voz que desperte e denuncie
As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade.
Os pobres, não um problema social, mas o centro da Igreja
É necessário que “todos nos deixemos evangelizar pelos pobres”, exorta o Papa. “O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma questão familiar. Os pobres ocupam um lugar central na Igreja.”
“Pedro nos lembra que os pobres são o coração do Evangelho.”
Fonte: Papa Leão XIV
Adaptação: Alceu A. Bertasso